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O vereador de Juazeiro do Norte Felipe Vasques (PSDB) foi afastado do cargo nesta quarta-feira (2), após ser alvo da Operação Aletheia, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará (MPCE). A investigação apura supostas fraudes em licitações, direcionamento de contratos e desvio de recursos públicos em obras e serviços de engenharia estimados em mais de R$ 43 milhões.
A operação foi deflagrada para investigar um suposto esquema envolvendo contratos de obras e serviços de engenharia celebrados com o Município de Juazeiro do Norte.
Segundo o MPCE, os contratos investigados somam mais de R$ 43 milhões. Os mandados foram cumpridos em residências, sedes e endereços comerciais de pessoas físicas e jurídicas relacionadas à apuração.
Durante as diligências, foram apreendidos celulares, notebooks, computadores, documentos e outros materiais que deverão passar por análise pericial.
De acordo com o Ministério Público, empresas formalmente distintas seriam controladas por um mesmo núcleo. A suspeita é de que pessoas ligadas ao principal investigado tenham sido colocadas em posições estratégicas para facilitar o direcionamento de contratos e a manipulação de procedimentos licitatórios.
O órgão também apura a utilização de empresas de fachada e de pessoas interpostas para ocultar as supostas práticas e viabilizar o desvio de recursos públicos.
Além das buscas, a Justiça autorizou:
Felipe Vasques está licenciado do mandato desde 16 de agosto para se dedicar à campanha eleitoral. Mesmo afastado das funções públicas, o parlamentar questionou a decisão judicial por já não estar exercendo as atividades regulares na Câmara.
A residência do vereador foi alvo de um dos mandados de busca e apreensão. Em nota, ele negou irregularidades e classificou a operação como “perseguição política”.
“Estou tranquilo, não devo nada à Justiça e prestarei todos os esclarecimentos necessários”, afirmou.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Vasques disse que foi informado sobre o afastamento do cargo e afirmou considerar a medida estranha, justamente por estar licenciado do mandato.
O promotor de Justiça Filipe Martins, integrante do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), explicou que os materiais apreendidos serão analisados pelos órgãos técnicos.
“Foram apreendidos diversos materiais, dispositivos, celulares, notebooks, e todos esses materiais agora serão objetos de análise de perícia pelos órgãos técnicos e os devidos encaminhamentos serão adotados em seguida”, declarou.
A investigação ainda está em andamento. Até o momento, não há condenação, e as suspeitas deverão ser comprovadas ou afastadas ao longo da apuração e dos processos judiciais correspondentes.
A Prefeitura de Juazeiro do Norte informou que não foi notificada sobre a Operação Aletheia.
Segundo a administração municipal, nenhum servidor ou órgão ligado ao Executivo foi alvo dos mandados cumpridos durante a ação. A Prefeitura afirmou ainda que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e fornecer informações solicitadas.