Ceará
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Fortaleza passa a contar com uma nova estrutura de monitoramento pensada para ampliar a capacidade de resposta do poder público em áreas como segurança, trânsito, fiscalização e zeladoria urbana. Instalado no Centro da capital, o Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza reúne mais de 7 mil câmeras, opera com apoio de inteligência artificial e conecta órgãos municipais à Ciops, em um modelo que reforça a atuação integrada da cidade e projeta uma Fortaleza mais preparada para prevenir ocorrências e agir em tempo real.
Em meio às entregas que marcam os 300 anos de Fortaleza, o centro é apresentado como um símbolo de uma cidade que busca combinar tecnologia, articulação institucional e capacidade de resposta para ampliar a segurança e a gestão dos serviços públicos.
Localizado no Centro comercial de Fortaleza, nas proximidades do Paço Municipal, o Centro Integrado de Videomonitoramento foi estruturado para concentrar, no mesmo espaço, monitoramento e resposta operacional. A lógica é encurtar o tempo entre a identificação de uma ocorrência e o acionamento das equipes em campo, reunindo videomonitoramento, análise de imagens e despacho de ocorrências em uma mesma engrenagem de atuação pública.
Segundo a Prefeitura e o Governo do Estado, o centro tem integração com a Ciops e com diversos órgãos municipais, permitindo que informações e imagens circulem de forma mais ágil entre segurança pública, mobilidade, fiscalização e serviços urbanos. Na prática, o equipamento deve atuar no apoio à prevenção de crimes, no monitoramento de tráfego, na segurança de escolas, creches e unidades de saúde, além de auxiliar ações ligadas à Defesa Civil e ao combate ao descarte irregular de lixo.
Ao destacar a entrega, o prefeito Evandro Leitão afirmou que o equipamento foi pensado para ampliar a capacidade de resposta do município. “São aproximadamente R$ 15 milhões investidos, para termos celeridade, mais resolutividade, com todas as setoriais integradas, para trazer resposta à população, que é isso que nós mais queremos”, pontuou.
Um dos principais eixos do novo centro é a integração entre estruturas municipais e estaduais. Das mais de 7 mil câmeras conectadas ao sistema, 1.160 são compartilhadas com o Governo do Estado por meio da Ciops. O Centro Integrado de Videomonitoramento também compartilha sistema de rádio e de despacho com a coordenadoria estadual.
Além da Ciops, o equipamento integra dados e imagens da Guarda Municipal de Fortaleza, Defesa Civil, AMC, Etufor, Agefis, Secretaria Municipal da Educação, Secretaria Municipal da Saúde, Secretaria da Conservação e Serviços Públicos, Coordenadoria de Gestão Regional e UrbFor, o que aproxima monitoramento e resposta operacional.
Para o governador Elmano de Freitas, o caráter integrado do equipamento é estratégico para o fortalecimento da segurança e da prestação de serviços públicos na capital. “Segurança pública exige fortalecimento das nossas equipes, investimento em inteligência, tecnologia, como presenciamos nesse Centro, que é a demonstração dessa integração para reduzirmos os índices de violência, inclusive em Fortaleza. Em março, tivemos uma redução de mais de 60% de homicídios em Fortaleza, e mais de 45% de redução de roubos”, declarou.
Na mesma linha, Evandro Leitão reforça que o centro não foi concebido apenas para o monitoramento criminal. “Essa é mais uma ação de parceria e integração entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Fortaleza. São 7 mil câmeras, inclusive com integração ao Ciops. Diversas pastas estão reunidas para monitorar a segurança, mas também o descarte irregular de lixo, a fiscalização de trânsito e outras ações”, afirmou.

O Centro Integrado utiliza um sistema inteligente de videomonitoramento com 40 telas, câmeras com tecnologia 360º, visão noturna e recursos de inteligência artificial. O videowall da cidade passou de 27 para 40 telas, ampliando a visualização simultânea de imagens e dados e dando mais alcance às equipes que operam o sistema.
O prédio conta com sala de operações, datacenter, sala de situação, auditório, salas administrativas e técnicas, além de espaços destinados a treinamento, capacitação e despacho de ocorrências. A proposta é dar mais precisão à tomada de decisão em tempo real, reunindo no mesmo ambiente operadores de vídeo e profissionais responsáveis pelo encaminhamento das demandas às equipes de rua.
O secretário municipal da Segurança Cidadã, Márcio Oliveira, afirma que o novo parque tecnológico também deve impactar a organização da cidade. “Essa estrutura do parque tecnológico vai contribuir muito com a Segurança Cidadã, mas também com a organização da cidade, a zeladoria, a limpeza. Sem dúvida, vai nos dar condições melhores de trabalho, mais funcionalidades, além do reconhecimento e valorização dos servidores que aqui trabalharão”, reforçou.
A nova estrutura também deve alterar a forma como a fiscalização urbana atua em Fortaleza. Com acesso a dados, imagens e informações estratégicas em tempo real, o Centro Integrado de Videomonitoramento amplia o alcance das equipes e reforça a capacidade de resposta de órgãos que antes dependiam, sobretudo, da presença física em campo.
Para o superintendente da Agefis, Guilherme Magalhães, o ganho está justamente na combinação entre presença institucional e inteligência operacional. “A presença do fiscal é importante e agora vai ser otimizada. Ela fortalece a presença da fiscalização. Para a Agefis, o que antes dependia exclusivamente da presença física da fiscalização, agora passa a contar com dados, imagens e informações estratégicas que nos permitem agir de forma mais rápida, mais precisa e mais eficiente”, afirmou.
De acordo com o coordenador do Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza, coronel Cleberson Assunção, o espaço já nasceu com alta capacidade operacional e atuação contínua. Segundo ele, o equipamento funciona em dois grandes setores, ambos em regime de 24 horas por dia.
O primeiro é voltado à vigilância preventiva e à reação imediata, concentrado na sala de operações, onde atuam as equipes de videomonitoramento e despacho de ocorrências. O segundo é dedicado à análise e à gestão de imagens relacionadas a fatos relevantes para os serviços públicos, especialmente para a área de segurança.
“O Centro Integrado de Videomonitoramento de Fortaleza é um instrumento público de integração das ações de segurança e dos demais serviços inerentes ao município”, afirma o coordenador. Ele resume o papel do equipamento na rotina da gestão municipal: “Com mais de 7 mil equipamentos de videomonitoramento, entre câmeras patrimoniais e urbanas, o Centro de Videomonitoramento é hoje considerado os ‘olhos’ da segurança pública e dos órgãos de fiscalização do município”.
Segundo o coronel Cleberson, o sistema também trabalha com analíticos para monitorar áreas sensíveis da cidade. Escolas contam com vigilância por detecção de intrusão, enquanto paradas de ônibus passam a ser acompanhadas com mecanismos de identificação de atos irregulares. A extração de imagens, ainda de acordo com ele, deve ampliar o apoio às investigações policiais e às respostas dos órgãos de Justiça.
Na ponta, a expectativa do município é que o Centro Integrado fortaleça tanto a prevenção quanto a capacidade investigativa. A integração entre monitoramento, análise de imagens e despacho imediato tende a produzir respostas mais rápidas em campo e também a gerar suporte para investigações posteriores.
A guarda municipal Fabíola Martins, que atua há seis anos na corporação e há quatro no videomonitoramento, destacou o impacto da nova estrutura no cotidiano operacional. “Há quatro anos faço parte do videomonitoramento. O Centro vai nos proporcionar mais agilidade na prevenção de crimes e mais segurança para a população”, afirma.
Na avaliação da gestão, esse modelo aprofunda uma política de atuação integrada entre Estado e município, unindo tecnologia, inteligência e serviços públicos em uma mesma plataforma. Em um momento em que Fortaleza completa 300 anos, o equipamento é apresentado como um sinal de uma cidade que busca combinar memória institucional com soluções mais conectadas para o futuro.