Entretenimento
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O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura lança no próximo 25 de março, data em que o Ceará celebra a Data Magna, o projeto Ventos de Liberdade, uma experiência imersiva em realidade aumentada que conecta arte, tecnologia e memória social.
Instalado na Arena Dragão do Mar, ao lado da estátua do Dragão do Mar, o projeto funciona por meio de um totem interativo que permite ao público acessar, pelo celular ou tablet, cenas e narrativas sobre a luta abolicionista cearense.
A ação tem como personagem central Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde, figura histórica que dá nome ao equipamento cultural e é reconhecido como um dos principais símbolos da luta abolicionista no Ceará.
A proposta relembra a abolição da escravidão no estado, ocorrida em 1884, quatro anos antes da Lei Áurea, e amplia o debate sobre os processos de apagamento histórico de personagens negros e populares.
A experiência foi pensada para ser acessada por dispositivos móveis, a partir da leitura de um QR code disponível no mobiliário urbano criado para o projeto.
Segundo o material de divulgação, o totem funcionará como portal para cenas em realidade aumentada e também como ferramenta de educação patrimonial, aproximando o público de capítulos pouco conhecidos da história da abolição no Ceará.
Além de Chico da Matilde, a experiência traz personagens de diferentes origens sociais que participaram do movimento abolicionista cearense, como:
A proposta é dar visibilidade a personagens negros, mulheres e pessoas de origem popular que, segundo o texto, foram decisivos para a conquista da libertação, mas acabaram pouco referenciados na documentação histórica tradicional.
No lançamento, o público poderá acessar dois capítulos iniciais:
Em De Matilde para Chico, a experiência mergulha na infância e formação de Chico da Matilde, com foco na figura de sua mãe, Matilde, apresentada como eixo formador de sua ética, identidade e senso de justiça.
Já Ecos dos Dragões amplia a narrativa para outros personagens do movimento abolicionista, transformando a estátua do Dragão do Mar em marco cenográfico da experiência e reforçando a dimensão coletiva da luta pela liberdade.
Um dos pontos destacados pela organização é que a experiência foi criada sem uso de inteligência artificial na produção das cenas.
O projeto foi desenvolvido a partir de pesquisa gráfica, fotografias históricas, entrevistas com historiadores e trabalho de ilustração, modelagem 3D, animação e desenvolvimento digital.
O Ventos de Liberdade é uma iniciativa do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em parceria com:
A experiência em realidade aumentada foi desenvolvida no âmbito do Laboratório de Experiência Digital (LED/UFC), com participação majoritária de estudantes pretos e pardos do curso de Design da UFC.
Segundo a superintendente do Centro Dragão do Mar, Camila Rodrigues, a iniciativa reafirma o compromisso do equipamento com a valorização das lutas históricas que fizeram do Ceará a chamada Terra da Luz.
O projeto também se apresenta como uma ação de memória conectada a um debate contemporâneo, com ênfase em uma perspectiva antirracista e contracolonial.