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Ceará reduz gravidez na adolescência em 40% em nove anos e se torna referência

Fortalecimento da atenção primária e ações de planejamento reprodutivo são apontados como chave para o resultado.
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Estado saiu de um patamar de 1 a cada 5 nascimentos para 1 a cada 10. (Foto: Filipe Dutra)

O Ceará alcançou uma expressiva redução de quase 40% na proporção de nascidos vivos de mães adolescentes (entre 10 e 19 anos) nos últimos nove anos. Em 2016, o índice era de 19,04%, o que significava que quase 1 em cada 5 bebês nascidos no estado era filho de uma adolescente. Em 2025, esse percentual caiu para 11,39% (pouco mais de 1 em cada 10).

Em números absolutos, a queda é ainda mais impactante: o total anual de partos nessa faixa etária passou de 24.034 em 2016 para 11.627 em 2025, uma diferença de mais de 12 mil casos. Os dados, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), refletem o sucesso de políticas públicas focadas na prevenção e no cuidado.

Atenção primária como pilar da mudança

Segundo a Sesa, a queda está diretamente associada ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS), a principal porta de entrada do SUS. A estratégia do estado consiste em apoiar tecnicamente os municípios para qualificar o cuidado nos territórios.

Entre as iniciativas, destacam-se:

  • Projeto De Braços Abertos (2023): Organiza e qualifica o pré-natal, a estratificação de risco e o planejamento reprodutivo.
  • Programa Saúde na Escola (PSE): Articula as redes de saúde e educação nos 184 municípios cearenses, com ações sobre saúde sexual e reprodutiva dentro do ambiente escolar.

Planejamento reprodutivo: da política à ponta

O serviço de planejamento reprodutivo do Hospital Geral de Fortaleza (HGF) é um exemplo de como a política se materializa. A enfermeira Laiane Melo explica que o foco é garantir escolhas conscientes e informadas, sem julgamento. “Planejar não é proibir. É dar informação e apoio para que cada adolescente possa decidir com autonomia”, ressalta. O serviço oferece orientação sobre todos os métodos contraceptivos, assegurando que a decisão seja adequada à realidade de cada paciente.

Para a coordenadora de Atenção Primária da Sesa, Thaís Facó, a redução do indicador vai além dos números, pois representa “adolescentes que puderam adiar a maternidade, ampliar as possibilidades de permanência na escola e construir outros projetos de vida”.

Pontos-chave da Redução

  • Resultado Principal: A proporção de mães adolescentes no Ceará caiu quase 40% em nove anos (de 19,04% em 2016 para 11,39% em 2025).
  • Números Absolutos: A queda representa mais de 12.000 casos a menos de gravidez na adolescência por ano.
  • Fator Central: Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) como espaço de prevenção, acompanhamento e planejamento reprodutivo.
  • Ações Estruturantes:
    • Projeto De Braços Abertos: Qualifica o pré-natal e o acesso a métodos contraceptivos.
    • Programa Saúde na Escola (PSE): Leva educação sobre saúde sexual e reprodutiva para dentro das escolas.
  • Consequência Direta: Mais adolescentes conseguem concluir os estudos e planejar outros projetos de vida, além da redução de riscos associados à gestação precoce.

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