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Apostas online movimentam até R$ 30 bilhões por mês no Brasil, aponta BC

Presidente e secretário-executivo do Banco Central prestaram esclarecimentos à CPI das Bets no Senado na terça-feira (8).
Mesmo após regulamentação do setor, fluxo de dinheiro nas apostas eletrônicas segue em alta, aponta o BC. (Foto: Alexandre Meneghini)

A regulamentação das apostas online, em vigor desde 1º de janeiro de 2025, não freou o interesse dos brasileiros pelos jogos de azar. Dados apresentados pelo Banco Central (BC) durante sessão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado, indicam que entre janeiro e março, o setor movimentou entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês.

O secretário-executivo do BC, Rogério Lucca, destacou que o volume financeiro atual supera estimativas anteriores, feitas antes da regulação. A atualização foi possível após as casas de apostas legalizadas passarem a registrar contas bancárias com CNAEs específicas, permitindo ao BC monitorar melhor os fluxos. Segundo ele, os valores não serão divulgados periodicamente, por serem apenas para consumo interno.

Distribuição dos prêmios e divergência entre órgãos

Apesar do grande volume financeiro, a maior parte dos valores é redistribuída aos apostadores em forma de prêmios. Segundo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, registra um retorno médio de 93% a 94% aos jogadores. O BC, por sua vez, havia calculado um índice de 85% em relatório anterior.

Papel limitado do Banco Central

Galípolo reforçou que o BC não tem poder de fiscalização, sendo responsável apenas pela elaboração de estatísticas e combate à lavagem de dinheiro. Segundo ele, a responsabilidade de bloquear transações ou suspender atividades ilegais cabe à SPA, que deve notificar as instituições financeiras envolvidas. “Não é o Banco Central que interrompe uma transação”, explicou.

O presidente do BC também afirmou que a instituição não pode bloquear o Pix de apostadores que recebem o Bolsa Família, nem as chaves das casas de apostas. Ainda assim, reconheceu que os apostadores apresentam risco de crédito superior, e que os bancos têm cobrado juros mais altos desses clientes.

Investigações em andamento

A CPI das Bets foi instalada em novembro de 2024, com o objetivo de investigar os impactos das apostas eletrônicas no orçamento das famílias brasileiras, no sistema financeiro e sua possível relação com organizações criminosas. O depoimento de Lucca e Galípolo foi solicitado pelo presidente da comissão, senador Dr. Hiran (PP-RR). A relatora é a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), autora do requerimento da CPI.

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