Entretenimento
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A escritora cearense Emília Freitas, autora de “A Rainha do Ignoto”, será tema do longa-metragem “A Paladina da Ilha do Nevoeiro: A Fantástica Vida de Emília Freitas”. Dirigido e roteirizado por Márcio Câmara, o filme está em fase de produção e utiliza documentário, ficção e animação para reconstruir a trajetória da autora, que viveu entre o Ceará e a Amazônia no fim do século XIX.
A produção é da Euphemia Produções e parte de uma pergunta central: como uma escritora que imaginou uma sociedade liderada por mulheres acabou praticamente apagada da história literária brasileira?
Publicado em 1899, “A Rainha do Ignoto” apresenta uma sociedade secreta feminina instalada na misteriosa Ilha do Nevoeiro. Na obra, as mulheres exercem diferentes profissões, dominam conhecimentos científicos e tecnológicos e percorrem o país em missões destinadas a enfrentar injustiças e proteger pessoas vulneráveis.
O romance combina elementos do romantismo, do gótico, do fantástico e do maravilhoso. A obra ficou esquecida por cerca de oito décadas, até ser recuperada em uma nova edição, em 1980. Desde então, passou a ser objeto de estudos e novas interpretações, sendo reconhecida como pioneira da literatura fantástica brasileira e associada também à ficção científica produzida no país.
Nascida em 1855, em Jaguaruana, Emília Freitas mudou-se para Fortaleza após a morte do pai. Na capital, estudou na Escola Normal do Ceará e se dedicou à Geografia e às línguas inglesa e francesa.
A partir de 1873, passou a publicar poemas, artigos e textos em prosa em jornais e periódicos. Sua atuação também esteve ligada ao abolicionismo, à educação, ao espiritismo e à discussão sobre a posição social das mulheres.
Emília publicou ainda “Canções do Lar”, em 1891, e viveu em Belém e Manaus. Morreu na capital amazonense, em 1908.
Não existe uma fotografia comprovadamente identificada como sendo de Emília Freitas. A ausência de um registro visual da escritora tornou-se um dos eixos do filme, que recorre a documentos históricos, arquivos, leituras críticas, encenações e elementos do universo de “A Rainha do Ignoto”.
A busca pelo rosto perdido da autora também conduz a uma investigação sobre memória, apagamento e o lugar das mulheres na história cultural brasileira.
Além disso, uma de suas obras, “O Renegado”, permanece sem exemplar conhecido. As lacunas documentais são incorporadas à narrativa como parte da própria investigação cinematográfica.
A história do projeto começou há cerca de dez anos, quando Márcio Câmara conheceu a obra de Emília Freitas. O diretor decidiu evitar uma biografia convencional e aproximar a vida da autora do universo fantástico que ela criou.
Com 90 minutos de duração, o filme conta com Elisa Porto, Alcilene Cavalcante, Sara Diva, Samya de Lavor, Heloísa Vasconcelos e Carla Castro.
A equipe inclui: