Poder
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O debate entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas teve na saúde pública um dos momentos de maior confronto entre os candidatos. A discussão passou pela situação das policlínicas, pela estrutura dos hospitais regionais e pelos resultados apresentados pelas duas gestões.
Ciro tomou a iniciativa ao questionar Elmano sobre a administração das policlínicas implantadas durante sua passagem pelo Governo do Ceará. O candidato perguntou se o atual governador considerava razoável, segundo sua acusação, que essas unidades estivessem sendo entregues a “cabos eleitorais” e citou o nome de Fernando Santana.
Na resposta, Elmano defendeu a estrutura hospitalar construída e mantida durante sua gestão. O governador destacou o Hospital Regional do Cariri e afirmou que a unidade recebeu qualificação internacional. Também mencionou o Hospital Regional de Sobral, reconhecendo que ainda enfrenta dificuldades, mas ressaltando a qualidade dos equipamentos de saúde.
A disputa sobre a saúde no interior do Ceará foi um dos principais eixos do embate. Elmano afirmou que sua administração ampliou a estrutura hospitalar e sustentou que realizou mais hospitais do que Ciro durante o período em que o adversário governou o Estado.
“Fez mais hospitais do que ele fez e não fez nenhum no interior do Estado”, afirmou Elmano, ao comparar as duas administrações.
A fala recolocou no centro do debate a estratégia de regionalização da saúde, baseada na oferta de atendimento especializado fora da Capital. Para o eleitor do interior, o ponto central da discussão é saber quanto da demanda por consultas, exames, cirurgias e atendimentos hospitalares consegue ser resolvida na própria região, sem a necessidade de deslocamento para Fortaleza.
Ciro, por sua vez, contestou a comparação feita por Elmano e afirmou que os números apresentados pelo governador precisariam ser relativizados diante do crescimento populacional ocorrido desde a década de 1990.
A discussão sobre gestão apareceu associada principalmente à capacidade da rede pública de transformar investimentos em atendimento efetivo à população.
Ciro direcionou seu ataque para a gestão das policlínicas e para a utilização política, segundo sua acusação, da estrutura criada em administrações anteriores. A crítica coloca em questão não apenas a existência dos equipamentos, mas também os critérios de administração e funcionamento dessas unidades.
Elmano respondeu destacando o volume de procedimentos realizados durante sua gestão. Segundo o candidato, foram 165 mil cirurgias, número que ele comparou com o período em que Ciro esteve à frente do Governo do Ceará.
Ciro rebateu a comparação. Para ele, a evolução populacional do Estado desde a década de 1990 torna a simples comparação dos números absolutos insuficiente para avaliar o desempenho de cada administração.
O embate, portanto, ficou concentrado em duas formas distintas de medir resultados: de um lado, Ciro questionando a gestão e a utilização política dos equipamentos; de outro, Elmano apresentando o número de cirurgias e a expansão da rede hospitalar como indicadores de desempenho.
O momento mais incisivo ocorreu quando Ciro questionou a destinação das policlínicas e associou a gestão desses equipamentos a interesses políticos.
Na sequência, Elmano deslocou o confronto para a comparação entre as duas gestões e respondeu destacando a produção hospitalar de seu governo.
Ciro contestou a relevância da comparação ao lembrar o crescimento da população cearense desde a década de 1990. Elmano encerrou o trecho reforçando a crítica à administração anterior e afirmando que seu governo construiu mais hospitais e ampliou a presença da rede no interior.