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Cagece autoriza início das obras da Dessal do Ceará nesta quinta-feira (16)

Usina na Praia do Futuro poderá atender cerca de 720 mil pessoas na Região Metropolitana de Fortaleza.
Dessal do Ceará
A usina terá capacidade de produzir 1 m³ de água por segundo. (Foto: Reprodução/Cagece)

A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) autoriza nesta quinta-feira (16), o início das obras da Dessal do Ceará, projeto criado para reforçar o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza por meio da produção de água a partir do mar. O empreendimento será instalado na Praia do Futuro e terá capacidade de produzir 1.000 litros por segundo, segundo informações da companhia e do Governo do Ceará.

Usina terá capacidade para atender 720 mil pessoas

A planta foi projetada para produzir 1 metro cúbico de água por segundo, o equivalente a 1.000 litros por segundo. Conforme a Cagece, esse volume poderá atender aproximadamente 720 mil pessoas e ampliar a segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza.

A capacidade prevista faz da Dessal do Ceará uma das maiores plantas de dessalinização já projetadas no Brasil. De acordo com a companhia, a usina terá capacidade equivalente ao dobro da maior unidade de dessalinização atualmente implementada no país.

O empreendimento faz parte do planejamento hídrico do Ceará e busca reduzir a dependência exclusiva dos reservatórios em períodos de estiagem.

Projeto terá investimento superior a R$ 3 bilhões

A Dessal do Ceará será implantada pelo consórcio Águas de Fortaleza, formado por:

  • Marquise S/A
  • PB Construções S/A
  • Abengoa Água S/A
  • Cagece

O contrato prevê a construção, operação e manutenção da planta pelo período de 30 anos. O valor global informado pelo Programa de Alianças Público-Privadas do Ceará é de R$ 3.141.809.167,64.

A concessão foi contratada em 13 de julho de 2021, mas o cronograma do projeto sofreu alterações ao longo dos últimos anos.

Localização da usina mudou após impasse com cabos submarinos

A localização da planta foi alterada durante a tramitação do projeto após manifestações do setor de telecomunicações. Empresas alegaram que as obras poderiam afetar cabos submarinos instalados na Praia do Futuro, estrutura considerada estratégica para o tráfego de internet no Brasil.

Obra enfrenta questionamentos socioambientais

A instalação da usina também envolve desafios ambientais. O trecho da Praia do Futuro escolhido para o empreendimento é conhecido como área de desova de tartarugas marinhas.

O projeto prevê escavações para a instalação de tubulações a cerca de 20 metros de profundidade, o que exigirá medidas de controle ambiental durante a fase de construção.

A planta recebeu a licença de instalação da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) em setembro de 2025. A autorização ambiental permitiu o avanço para a etapa de implantação, mediante o cumprimento das condicionantes previstas no licenciamento.

Comunidades da área discutem impactos do empreendimento

Outro ponto de tensão envolve as comunidades localizadas no entorno do projeto. Em julho de 2025, famílias que viviam dentro da área destinada à usina foram realocadas.

Moradores de áreas próximas, que não foram incluídos no processo de realocação, reclamam da falta de soluções para os impactos provocados pelo empreendimento. A situação permanece entre os temas relacionados à implantação da Dessal do Ceará.

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