Ceará
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A rede municipal de ensino de Fortaleza passou por uma reestruturação expressiva no atendimento à educação especial. A Secretaria Municipal da Educação (SME) confirmou um salto de 148% no número de assistentes de inclusão escolar, atingindo a marca de 2.902 profissionais em atuação. O reforço no efetivo é uma resposta direta ao perfil demográfico das escolas do município, que atualmente acolhem 25.835 estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) — número que representa a esmagadora maioria do alunado com deficiência na capital.
Para dar vazão ao volume de matrículas, a SME mapeou as áreas de maior demanda e alocou um segundo professor de AEE em 50 escolas estratégicas. Além do suporte pedagógico, a rede conta hoje com 715 profissionais de apoio escolar. Esse grupo é fundamental para a permanência dos alunos, pois atua diretamente nas necessidades de alimentação, higiene e locomoção de estudantes com deficiência e autismo que exigem suporte contínuo.
A infraestrutura das unidades também passou por adaptações focadas na autorregulação de alunos neurodivergentes. Foram instalados painéis sensoriais em 420 escolas, equipamentos projetados para auxiliar no desenvolvimento de habilidades motoras, cognitivas e no controle emocional de pessoas com TEA. Outra aquisição foi a compra de mais de 3 mil abafadores de ruídos. O recurso de acessibilidade é crucial para estudantes que lidam com hipersensibilidade auditiva, mitigando gatilhos e garantindo melhores condições de foco e participação no cotidiano escolar.
Fechando o cerco na capacitação da rede, a SME implementou, em março de 2025, o Protocolo Municipal de Prevenção de Crises de Estudantes com TEA e outras neurodivergências.
O documento funciona como um manual tático para gestores, coordenadores, professores e assistentes. O objetivo é padronizar as estratégias preventivas e os procedimentos de intervenção diante de situações de desregulação comportamental dentro do ambiente escolar, garantindo um acolhimento técnico e humanizado.