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Caiado anuncia pré-candidatura do PSD à Presidência e encerra disputa interna na sigla

Governador de Goiás será lançado nesta segunda-feira e passa a representar o partido na corrida pelo Planalto.
Ronaldo Caiado
A definição ocorre após a desistência de Ratinho Jr. e em meio à articulação de Eduardo Leite, que também tentava viabilizar seu nome na legenda. (Foto: Reprodução/Ronaldo Caiado)

O PSD vai anunciar nesta segunda-feira (30) o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato à Presidência da República. A escolha encerra um foco de tensão interna na sigla, que vinha discutindo qual nome representaria o partido na disputa nacional após a saída de Ratinho Jr. da corrida e a retomada da movimentação de Eduardo Leite nos bastidores.

Caiado volta a disputar o Planalto após quase quatro décadas

Aos 76 anos, Caiado faz sua segunda tentativa de chegar à Presidência. A primeira ocorreu em 1989, na eleição que marcou a retomada do voto direto para presidente após a redemocratização, quando terminou em décimo lugar.

Agora, o governador goiano volta ao cenário nacional em outro contexto político, com mais capital eleitoral, maior projeção administrativa e inserção num partido que busca espaço próprio entre os principais polos da disputa.

Escolha encerra crise interna no PSD

A definição por Caiado fecha uma disputa que expôs divergências no PSD. Nos últimos dias, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, havia intensificado a articulação para tentar se firmar como opção da legenda, sobretudo depois que Ratinho Jr., governador do Paraná, deixou a corrida.

Ratinho era visto como o favorito do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Em janeiro, Kassab reuniu os três governadores em um acordo segundo o qual dois abririam mão da postulação em favor daquele que estivesse melhor posicionado nas pesquisas. O paranaense aparecia à frente, ainda que sem uma vantagem expressiva sobre os demais.

PSD buscava nome com perfil de centro

Internamente, o PSD avaliava que Ratinho Jr. tinha melhores condições de representar uma candidatura de centro, capaz de tentar romper a polarização entre o campo liderado por Lula (PT) e a direita bolsonarista. Com a saída dele da disputa, o partido precisou reorganizar sua estratégia e arbitrar a concorrência entre Caiado e Eduardo Leite.

A escolha por Caiado indica que a legenda decidiu apostar em um nome com perfil mais consolidado no eleitorado conservador, ainda que isso aproxime o discurso do PSD do campo já ocupado por candidaturas da direita.

Caiado tentará disputar espaço no eleitorado bolsonarista

Nos últimos anos, Caiado se aproximou do bolsonarismo e deve buscar votos no mesmo campo político em que se movimenta Flávio Bolsonaro (PL), apontado no texto como o nome da direita após ser ungido por Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar e foi condenado por tentativa de golpe.

Com esse cenário, a entrada de Caiado na corrida tende a acirrar a disputa pelo eleitorado antipetista e conservador, ao mesmo tempo em que testa a capacidade do PSD de sustentar uma candidatura competitiva fora do eixo tradicional da polarização.

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