Ceará
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Em um cenário que exige prudência máxima, o Ceará definiu, nesta quarta-feira (4), como será a gestão das águas de seus três maiores reservatórios para o primeiro semestre de 2026. A decisão, tomada em reunião participativa no IFCE de Quixadá, envolveu a Cogerh, comitês de bacias e a sociedade civil. O foco central é equilibrar o atendimento às demandas locais com a garantia da segurança hídrica da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Diante do prognóstico da Funceme, que aponta 40% de chance de chuvas abaixo da média entre fevereiro e abril, a palavra de ordem foi cautela. “Vivemos um momento desafiador. A decisão busca o equilíbrio entre os diferentes usos”, destacou Tércio Tavares, diretor de Operações da Cogerh.
O Açude Castanhão, maior reservatório do estado, teve vazão definida em 16 mil litros por segundo (L/s). Deste total, uma fatia estratégica de 6 mil L/s será destinada ao abastecimento da Grande Fortaleza. Essa água virá de uma transferência do Açude Orós, o segundo maior, que liberará 8 mil L/s no total — sendo a maior parte justamente para enviar ao Castanhão e, de lá, para a capital.
A operação de transferência para a RMF está programada para começar em 23 de fevereiro, mas a data pode ser adiada caso as chuvas na região metropolitana surpreendam positivamente.
Já o Açude Banabuiú, terceiro maior, operará com vazão mais modesta de 900 L/s, atendendo prioritariamente o abastecimento humano e produtivo da região do Sertão Central, com reforço previsto pelo projeto Malha d’Água.
A definição não veio de cima para baixo. Cerca de 160 pessoas participaram do debate, consolidando o modelo de gestão participativa do Ceará. Marcílio Caetano, gerente da Cogerh, ressaltou que esse diálogo permanente é o que permite ao estado enfrentar a incerteza climática com responsabilidade e transparência.